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quinta-feira, 3 de março de 2011

Morretes

Uma adorável descoberta ao final do passeio ferroviário a partir de Curitiba é a cidade de Morretes. Trata-se de uma pérola encravada na Mata Atlântica da região litorânea do Paraná. Cidade alegre, intensamente povoada nos finais de semana pelos turistas ferroviários e rodoviários, nesse caso por aqueles que optaram por percorrer a lindíssima Estrada da Graciosa, via pela qual retornei a Curitiba de ônibus no mesmo dia.
Além de alegre, a cidade é linda. Tipicamente interiorana, reflete uma paz de existir e um pleno cenário histórico. Embelezada pelo Rio Nhundiaquara, que cruza a cidade, suas pontes antigas, casario conservado, praça com coreto e ruas pacatas fazem perguntar: por que ir até Porto Seguro?
A culinária local é difundida por meio do prato denominado de barreado, muito delicioso. Outra preciosidade é a sorveteria artesanal Sabor de Fruta, na Rua XV de Novembro, nº 395, administrada pelo Sr. Pedro Zanikoski Filho, que nos brinda com a natureza sob a forma de sorvete, obtida mediante cuidadoso, depurado e natural processo de produção, oferecendo até sorvete de abóbora, entre outras novidades.
Outra atração é a molecada da cidade, que dá saltos mortais da ponte antiga, mergulhando no Rio Nhundiaquara. Por pouco não acompanhei.
As fotos a seguir servirão para ilustrar a minha narrativa.









Ferrovia Curitiba - Morretes

Planejei para o domingo, 27.02, o passeio pela ferrovia histórica que liga Curitiba a Morretes. De manhã cedo fui até a Estação Rodoviária – Ferroviária de Curitiba. O cenário é muito peculiar. A regra virou exceção. Meio de transporte outrora predominante, hoje o trem é modalidade curiosa para as grandes cidades. Além de peculiar, diria que se trata de uma possibilidade muito feliz. A expectativa de cada qual daquelas centenas de pessoas que aguardam nas filas para a compra de passagens e na enorme plataforma de embarque, já que o trem é um meio de transporte de massas, dá um colorido especial ao passeio, novidade ou no mínimo diferencial de fruição turística.
Ademais, para mim esta rota possui um significado a mais: passei a infância manuseando um pequeno encarte com velhas fotos deste passeio, que foi realizado, e sempre reportado, pelos meus pais nos áureos tempos iniciais da vida em comum – algo sempre resta de bom.
Se no passado esta ferrovia representou uma aventura significativa para a engenharia mundial, uma vez ultimada e agora devidamente manutenida, o que ocorre mediante concessão à ALL e à Serra Verde Express, essa que opera igualmente o famoso Trem do Pantanal, é mais uma das delícias possíveis no território paranaense. Além da classe turística, pela qual viajei, existe uma classe de luxo, chamada de litorina, que recria o ambiente dos sofisticados trens cinematográficos.
Iniciado o passeio, que dura entre três e quatro horas, é só desfrutar do prazer visual, que é intenso, e dos dados históricos repassados pelo guia do vagão. O serviço prestado pela Serra Verde é louvável, uma vez que congrega segurança, organização e informação ambiental e cultural para o turista. Tudo evidentemente na medida do possível, seja quanto à clientela de um modo geral, seja em relação à mão-de-obra disponível, já que professores de história e de ecologia, embora apreciados por mim, seriam facilmente banidos pela maioria dos passageiros.
O percurso permite uma despedida do ambiente metropolitano de Curitiba, com um avançar sobre exuberantes paisagens de Mata Atlântica serrana e litorânea, com destaque para o Parque Estadual do Marumbi, de notável beleza em razão de seus picos e encostas, alvo de significativa preservação.
A chegada se dá na simpática cidade de Morretes, pequeno município da região litorânea do Paraná.
Acredito que a seqüência de fotos permitirá uma amostra do belíssimo passeio.












MON

O Museu Oscar Niemeyer é sempre uma das grandes atrações de Curitiba. Passei boa parte do dia 26.02 em seu interior, e mesmo assim foi pouco tempo. Desfrutei, com especial destaque, das exposições das obras de Magda Frank e de Haruo Ohara, passando por algumas peças de Picasso e de Dalí.
O museu tem acervo para visitação atenta por no mínimo dois dias, ao passo que o nosso Museu Iberê Camargo em três horas está bem visto. O volume de obras de qualidade é surpreendente. A própria página do museu na rede mundial de computadores - http://www.museuoscarniemeyer.org.br/ - já é um espetáculo à parte.
Aproveitei a permanência no MON para exercitar a minha incipiente arte a partir do seu próprio interior, o que fiz com o disparo que segue.


Ao sair do MON, o dia chegava ao fim e fui presenteado com um belo entardecer, do qual registrei uma simpática composição tipicamente paranaense, com araucárias adornando a paisagem.


Curitiba, Outra Vez


Em 24.02.11 iniciei meu novo período de férias fora do Rio Grande do Sul, com um de meus últimos destinos do verão passado: Curitiba. Insisto, para o desagrado de alguns amigos gaúchos como eu, que em Curitiba, sem sombra de dúvida, é possível encontrar uma estrutura urbana substancialmente mais qualificada do que a de Porto Alegre. Vejam que o meu discurso é o mais neutro, já que a partir do surpreendimento do turista que aqui chega, os elogios afloram com extrema facilidade, mas vou poupar os bairristas gaúchos de tal sofrimento. Concluirei referindo apenas que a superioridade se faz mais evidente a cada visita e ocorre em relação a um número cada vez mais crescente de descobertas sobre o fato urbano local.
Na manhã do dia 25.02 embarquei no ônibus de turismo de Curitiba, que percorre pontos destacados do cenário urbano, permitindo desembarques e novos embarques no itinerário. Fiz alguns singelos registros fotográficos do Teatro de Arena do Paiol, edificação que antigamente armazenava pólvora e foi batizado como cenário cultural por Vinícius de Moraes em 1971, e do Paço da Liberdade, antiga sede do Governo Municipal, patrimônio tombado nos três níveis da federação.




Fotografei o pórtico do Passeio Público, verdadeira jóia natural engastada em pleno centro da cidade, primeiro parque e zoológico de Curitiba, a fachada do Memorial Árabe e o monumental MON, museu do nosso grandioso Oscar.





Meu primeiro desembarque foi na singular e oportuníssima Universidade Livre do Meio Ambiente, ONG que promove cursos de formação em matéria ambiental para a inclusão no debate de menores em situação de risco, bem como de profissionais do setor público e privado. A inauguração da Unilivre, há quase duas décadas, contou com a presença de um significativo ambientalista: Jacques Cousteau.  O campus é um verdadeiro bosque sem muros frontais, dotado de estruturas arquitetônicas repletas de conotações simbólicas. O corredor verde que dá acesso à clareira principal permite um sem número de aromas silvestres e a visualização de um autêntico e delicado cenário de Mata Atlântica, naturalmente integrado por um exuberante curso de água.



A clareira principal, situada em uma antiga pedreira, é dotada de vários recantos em torno de um lago que, conforme fui informado, assume o formato do Estado do Paraná. Consegui captar o vôo de duas aves que repousavam no local.





No maior recanto da clareira principal fica a estrutura predial da universidade, que lembra as idealizadas casas em meio às árvores da infância, só que em versão expandida. A edificação foi realizada a partir de uma concepção de harmonização com o ambiente original, do qual parece ser parcela integrante, à vista dos materiais utilizados, em grande parte com o mínimo tratamento industrial, representando digno exemplo das “eco houses” propagadas pela permacultura.







O ápice da harmonização entre o ensino do saber natural e a sua vivência se dá a princípio com a imagem do auditório ao ar livre, cuja beleza espero ter bem retratado com as capturas a seguir.





Por fim, acomodado em meu quarto no 11º andar do vetusto Hotel Tibagi, localizado no coração de Curitiba, brinquei um pouco de fotógrafo urbano noturno, registrando o movimento no entorno da Praça Tiradentes a partir de minha visão frontal da Rua Cândido Lopes.